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   Nós éramos muito iguais, muito diferentes também, mas uma diferença me incomodava. Eu venho de uma família inteiramente Palmeirense e a Gabriela de uma família metade Santos metade Palmeiras, e infelizmente ela havia escolhido o Santos.

 

   Conversando um dia com a Vó Creusa, vó paterna da Gabi, descobri que quando mais nova a Gabriela era Palmeirense, e virou a casaca pro Santos por causa da mãe. Isso mexeu com meu sistema verde e branco, e algo me dizia que isso poderia me ajudar.

 

   Ela sempre foi muito sedentária, e não gostava muito de esportes, mas aos poucos fui envolvendo ela neste mundo que é o meu vício. Claro, por muitas vezes conversamos sobre futebol e sobre o Palmeiras. E eu sempre pedindo pra ela deixar o orgulho e assumir que dentro dela o coração era verde e branco, mas nada mudava.

 

   É pelo jeito palavras não iriam adiantar, mas eu não desisti. Em um certo domingo meus pais decidiram ir ao Pacaembu assistir o jogo do Palmeiras e ai foi que minha imaginação entrou em ação. Chamei a Gabi pra ir ao jogo comigo, ela aceitou, mas com a desculpa de que era apenas pra estar ao meu lado, pois não queria passar o domingo sozinha.

 

   Fomos e no meio do caminho eu dei um migué e disse: “Amor você ficaria tão linda com a camisa do Palmeiras”. Ela me surpreendeu com a resposta “Se tivesse uma eu vestiria”, e a surpreendi mais ainda tirando uma camisa extra da mochila hahaha.

 

   Chegamos lá e essa menina ficou deslumbrada com uma torcida viva, que não parava de cantar. Não parava de comentar aquela emoção de estar ali torcendo, e ao final do jogo seus olhos brilhavam. Eu sabia que aquilo havia mexido com ela, e estava certo. Poucos dias depois ela assumiu sua paixão pelo Palmeiras e procurou deixar bem claro que não era por minha causa, mas por ela realmente gostar do Palmeiras.

 

   Agora sim estava perfeito. Eu estava muito feliz. Ela não parava de me surpreender, em alguns momentos ela parecia ser mais Palmeirense que eu, muito mais fanática. Sempre me pedindo pra eu levar ela novamente ao estádio pra ver o Verdão jogar. E depois de algum tempo nós fomos, apenas nós dois.

 

   Aquele dia foi perfeito. Vi a Gabriela cantar todos os hinos da Mancha Verde e vibrar com cada gol que o Verdão fazia. O jogo terminou 3 a 0 pro Palmeiras e essa menina não se cabia de tanta alegria.

 

   E hoje vivemos assim, uma vida verde e branca.

 

 

 

 (Eduardo Santana Queroz) 

Capítulo 5 - Primeiro Jogo

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